sábado, 27 de março de 2010

Ela agarrou a mão do tio, nunca estivera ali antes. Foram caminhando pela rua ladrilhada, pedras altas, baixas, alguns tropeços contam história por ali. Em caminho do mar, a menina apreensiva, não sabia o que lhe esperava por séculos. Se perguntava se a areia era a mesma da cidade, se a água era de fato salgada e se havia peixes de verdade. O tio tranquilo, apenas mais uma vez, apenas uma repetição do óbvio, areia sendo lavada por água e sal. Chegando na praia, a mão da garota apertando a do tio, visível era a expectativa. A menina avista, logo de longe, o horizonte, ditando: Olha ali, tio, vou poder tocar o céu. No desconhecimento que seus olhos enxergavam na linha que juntava o mar com o céu. O tio, sem reação, nem tão pouco expressão, concorda e sorri, sabendo que a inocência que ele carregava em passos curtos era a mais pura verdade.

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