segunda-feira, 15 de março de 2010

Nos contavam histórias de outras vidas, enquanto assistíamos e nem imaginávamos em piscar, numa forma de não perder o que se prendia a retina. Nós ali, paralisados, procurando o mesmo caminho que nos levasse a fins diferentes. Falavam de telhados e arvores baixas, de formas estranhas e amores inacabados. Não tinham outra necessidade a não ser eles mesmo, o fato de estarem ali, juntos, já completava todo e qualquer espaço vago, não buscavam em outras formas, não precisavam. Escreviam poemas momentâneos, sem se preocupar com rima ou coisa do tipo, eram capazes de transmitir em olhares o que palavra alguma dizia. Eram felizes pois nunca procuraram a felicidade, apenas a viveram. E continuávamos ali, querendo tudo aquilo pra nós, como se, em nosso egoísmo, ainda não possuíssemos. Posso jurar que teus abraços me deixam mais forte, e qualquer toque teu melhora meu humor. Teus sorrisos motivam os meus, e tua voz no telefone me atinge de forma covarde. Toda forma do que é, do que vem sendo. Enquanto nos contavam todas aquelas histórias, eu podia nos ver ali, como se fosse uma descrição do que somos e um dia seremos. Talvez não com tanta certeza e acerto, apesar de cultivarmos o que precisamos. Sejamos do nosso modo, com nossas trilhas, erramos e acertamos, sem esquecer que estamos, inteiramente, juntos.

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