Esqueça que existo, que te amo ou te amei
Esqueça o caminho até minha casa se por bem
Esqueça das palavras que um dia proferi
Se não me basta, com peito farto, o que sofri
Esqueça dos tambores que rufaram no encontro
Em face a desespero, no teu lenço fica o pranto
Como se não fosse angustiante minha espera
Me domina o corpo, cega os olhos, beijo a terra
Como se não bastasse a saudade que sinto
Procuro em sonhos a esperança em suspiro
Te peço em dobro, nem tão pouco, aquele abraço
Onde me protegia do mundo, fortalecia nosso laço
Embora me prenda, tua voz, em meu silêncio
Não digo que te amo, pois guardo em segredo
E se te peço que me fale uma vez mais
O que tu sentes se por outra corro atras
Enquanto afaga se me coloco de partida
Sei que doi-te o peito enquanto fujo a tua retina
E fale agora se tens algo a dizer
Pois assim desisto, sem mais vontade de sofrer.
E termino dessa forma minha carta
Com vontade contraditória que aos poucos me mata
Mas com alguma ponta de esperança, sigo em meu passo
Com a certeza de que fique pelo chão meu rastro
Para se quiseres um dia me seguir
E escondida, fugindo, para todos mentir
Deixando claro em prova curta de paixão
Ficavam cartas de puro amor e afeição.
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