segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
ela
(...)exagerado, sem vergonha e direto. Não para pra pensar, despeja letras, engole vogais, troca frases. Ele sente a necessidade de falar de uma vez, de soltar em poucas palavras uma imensidão de sentimentos. Ele quer inventar adjetivos para descrever com maior precisão. Talvez ninguém, além de quem realmente importa, entenderá. Ele vai ser ridículo, vai passar vergonha, vai prometer mais do que pode, ele não vai se importar. Vai inventar não ter ciúmes, não dará bola para terceiros, enquanto sente a falta da garantia de longo e curto prazo. Vai falar de insegurança, de incertezas, não terá mais aquela tranquilidade de quem jura não ligar para onde deve andar, que caminho seguir. Vai começar a duvidar do que falam pra ele, talvez até do que pense. Vai achar tarde demais, cedo demais, inventará motivos e situações. Ele está apaixonado por alguma coisa e não somente por alguém. Louco, frio, dependente. Ninguém entende o que ele quer, pois deseja algo muito grande de pessoas muito pequenas. Não quer ser discreto, é realmente para que todos saibam, tendo orgulho dos "porque" que insiste em criar. Ele não pede nada mais além de sorriso e interesse, de telefone e surpresa, presença e verdade, pois sabe que são contra a insegurança. Mas agora ele tem certeza do que quer, não é mais duvida e sente que não pode perde tempo. Por um segundo sentirá que a perdeu. Ele não sabe como se expressar, queria saber o mínimo do que ela pensa. Poderia ser de uma forma mais clara, mas não, parece que procuram os jeitos mais difíceis de se entender. Começam conversas com a intenção de se conhecer, mas parece que se desconhecem ainda mais. Não sabemos como estamos aqui, nem tão pouco até onde vamos, mas saiba que tenho certeza do que quero. Quero partilhar contigo o que vier pela frente. Quero, quem sabe um dia, poder dizer-te com total tranquilidade meus mais estranhos segredos. Me acostumar com tuas manias, com tuas caras. Rir contigo e meu ombro para te consolar. Saiba, que se por um instante não entendi tuas entrelinhas, é a razão de eu tentar tirar de teus olhares as mais sinceras provas do que somos, mesmo ainda não conseguindo nos definir.
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