quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
vai
Vieram me contar que observaram meus olhos enquanto a olhava. Disseram que invejavam a profundidade que transpareciam, raro de se ver, olhos de luz. O modo como a fitava atravessava entendimentos, explicações. Eu ali, boquiaberto, sem palavras para dizer, você perguntando o que havia, o que queria. Não queria nada além daquilo que eu já possuía naquele instante. Tão próxima, tão distante. Com ela sou eu mesmo, sou diferente, sou sozinho, nú e ao mesmo tempo verdade. Pode não ser filme, pode ser seguro demais para uma paixão, feliz demais para um amor. Pode não ser flores inesperadas, palavras de conforto e todo aquele conjunto romântico clichê. Pode ser assim casual, não me importo se te completa dessa forma. Não falo mais por mim, apenas penso e sinto. Vou achando as formas mais estáveis de se levar algo que nem sei chamar pelo nome. Seja por completo, assim como venho sendo, o sentimento mudando, as palavras ganhando peso. Os olhares viram conversas sem palavras, os toques contratos. Enquanto afasto teu cabelo do rosto, nossa distância já não é real, te aperto em mim numa tentativa de ter certeza fazeres parte disso. Não é apenas o modo como te vejo que me denuncia, são as formas como meus pensamentos movem meus lábios enquanto te estudo.
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