Desculpa, mas tenho que me aproximar de ti por essa ultima vez para me sentir assim livre. Tem algo comigo que te pertence, que me remete a tua imagem. São minhas palavras. Que outra pessoa leria minhas palavras visualizando minha angustia, minha tentativa de fuga? Eu apenas quero encontrar minha paz, apenas me sentir completo outra vez, bem outra vez. Quando lhe entregar essa carta, não quero saber se irás ler, se irás jogar fora ou simplesmente guardar em meio aos seus livros, pois ali não estão apenas palavras, ali terá sentimento. Se veres parte de minha caligrafia, entenderas, como poucos, que o amor que um dia senti, jamais se repetira. Bastara, então, um simples acento para perceberes quão confuso ainda estou. Sendo assim feito em lágrimas que jamais terei a oportunidade de secar novamente. Irá procurar alguma fotografia minha, nossa, e esconder bem no fundo de seu armário, onde deve ter sido o lugar que colocastes teu amor, e então saberei que fará questão de esquecer o lugar que foi jogado, para que não seja possível encontrar outra vez. E se um dia lhe passar pela cabeça uma vontade de arrumar teu quarto, o armário, ali esquecido e trancado permanecerá, até que com o tempo, os vestígios do que somos irão desaparecer.
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